É Vedado ao Médico se Dizer Especialista em Enxaqueca no Brasil
Inúmeros sofredores de enxaqueca buscam na internet pelo termo: médico especialista em enxaqueca, ou simplesmente, especialista em enxaqueca, na tentativa de encontrar um profissional capacitado. Porém, o que ninguém sabe é que é proibido a todo e qualquer médico se intitular especialista em enxaqueca.
Especialista em Enxaqueca?
O uso do termo “especialista” é restrito. E isso tem uma boa razão, continue lendo.
Quem proíbe o uso liberal do termo “especialista” é o órgão regulamentador da profissão médica no Brasil, o Conselho Federal de Medicina. A razão dessa proibição é a seguinte: somente se pode dizer especialista em alguma coisa o médico que possui um título de especialidade daquela coisa. O título de especialidade, por sua vez, é emitido por sociedades médicas de especialidades devidamente reconhecidas pelo Conselho Federal de Medicina para essa finalidade, segundo critérios rigorosos. Exemplos dessas sociedades são a de cardiologia, neurologia, pediatria e assim por diante.
Como não existe, até hoje, no Brasil, uma sociedade médica de enxaqueca (ou dor de cabeça) que seja oficialmente reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina como sociedade médica de especialidade, resulta que não existe título de especialista em enxaqueca (ou dor de cabeça). E no Brasil, quem não tem título de especialista não pode se declarar ou intitular especialista.
Faz sentido, não é? Esse mecanismo previne a população do médico ganancioso e irresponsável que, de um dia para outro, resolve se intitular, por exemplo, cirurgião plástico só porque fez um curso rápido e acha que sabe tudo, e sai por aí fazendo lipoaspiração sem o conhecimento necessário, e desse modo colocando vidas humanas em risco. Ou ginecologista. Ou ortopedista. E assim por diante.
É exatamente por esse motivo que eu não me intitulo, nem jamais me intitulei, especialista em enxaqueca. Não importa quantos livros escrevi, ou quanto tempo da minha vida dediquei ao estudo da enxaqueca, ou quantos pacientes atendi. A regra é clara e é preciso segui-la. Segundo as normas que todos os médicos devem seguir, seria anti-ético para qualquer médico se auto-intitular especialista em enxaqueca. E como não existe órgão reconhecido pelo Conselho Federal de Medicina para outorgar um “título de especialista em enxaqueca”, não se deve utilizar, no Brasil, o termo especialista em enxaqueca para se referir a um médico que se dedica ao estudo e tratamento da enxaqueca, não importa quem esse médico seja.
O motivo pelo qual escrevi este artigo é justamente alertar o leitor, que pesquisa inocentemente no Google, quanto àqueles profissionais que preferem não dar bola para a ética médica e as normas vigentes, preferindo atrair o internauta através do título “Especialista em Enxaqueca” acoplado ao nome ou site – ou até mesmo a participação em “listas de especialistas em enxaqueca” (ou dor de cabeça).
Conforme eu já escrevi em outro artigo, encontrar um médico para tratar de sua enxaqueca é perfeitamente possível e não requer sair da sua cidade ou mesmo bairro (clique aqui para dar uma lida no artigo) – mas uma coisa é certa: você precisa encontrar um médico que, acima de tudo, seja ético. Ético, para qualquer pessoa, é devolver o objeto encontrado a quem o perdeu. Ético é alertar o caixa da loja que o preço da mercadoria foi cobrado a menos, ou que o troco está a mais. Não importa se apenas um real. Ético é, basicamente, sinônimo de confiável. E dentro de sua busca, na internet, por um médico que trate a sua enxaqueca, fica a dica: não deixe de pesquisar pelo termo “especialista em enxaqueca”, para descobrir quem são os “especialistas” de plantão.
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Dr. Alexandre Feldman, CRM(SP) 59046
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