Bebês com dor de cabeça e outros sintomas de enxaqueca.

Bebês e enxaqueca
Bebês e crianças muito pequenas podem ter enxaqueca? Existe uma idade mínima para o início da enxaqueca?
Surpreendentemente, bebês e crianças muito pequenas podem ter enxaqueca sim. Eu mesmo já atendi um paciente de 3 anos de idade, com enxaqueca desde os 8 meses.
Oito meses? Mas como é possível saber que um bebê com essa idade tem enxaqueca? Afinal, sabemos que bebês não falam e crianças muito pequenas têm dificuldade de verbalizar sintomas.
A enxaqueca é sempre diagnosticada a partir da observação clínica (relato e acompanhamento dos sintomas), e eliminação de outras possíveis causas para os sintomas apresentados. No caso desta criança, o quadro clínico era de crises de choro incontrolável, durante as quais ela levava as mãozinhas à cabeça, na região da fronte e têmporas, além de uma intensa palidez,transpiração excessiva, corpo “mole”, “largado”; e vômitos. Após os vômitos, o bebê dormia tranqüilamente por cerca de 60 minutos. Às vezes acordava bem, e outras, vomitava novamente e voltava a dormir. Seus pais levavam-no ao pronto-socorro, onde era cogitada (porém nunca comprovada) a possibilidade de uma “virose”.
Esse bebê passava por períodos de inapetência, nos quais não ganhava peso e até emagrecia. Suspeitou-se até de um possível “refluxo gastroesofágico”, o qual não se comprovou. Tomou remédios sem necessidade, fez uma série de exames, inclusive cintilografia.
Em certas épocas, a freqüência desses sintomas aumentava, pois as crises eram desencadeadas por infecções comuns, do tipo amigdalite, e até pela simples erupção dos dentes.
Antes mesmo de começar a falar, a mãe percebeu que a criança tampava os olhos com as mãozinhas durante as crises, preferindo o escuro.

Bebês, enxaqueca e dor de cabeça
Esta criança passou por uma verdadeira bateria de exames e procedimentos, simplesmente porque não se pensou na possibilidade de enxaqueca, até que finalmente, um neurologista diagnosticou sua condição aos 26 meses de idade. Uma vez medicado corretamente, a freqüência das crises diminuiu, mas não desapareceu.
Conforme atingia a idade de 3 anos, ia se tornando mais auto-consciente, de modo que suas reações às crises foram se tornando mais intensas. Como a criança sabe e tem consciência de seu problema, ela começa a gritar: – “Mãe, mãe! Eu não quero ficar assim!” Abraça a mãe, vomita, fica mais de um dia com crise, e melhora.
A descrição acima é triste, porém é uma históra muito comum entre as crianças que atendo no meu dia-a-dia. Minha intenção, ao descrever este caso, é chamar a atenção dos pais para o fato que a enxaqueca pode começar a se manifestar antes mesmo da criança ter vocabulário suficiente para poder falar o que está sentindo, e que se deve sempre cogitar a possibilidade de enxaqueca em situações semelhantes à descrita acima.
Existe tratamento e controle para a enxaqueca em crianças, tanto quanto em adultos. Antes de mais nada, é importante levar o bebê e/ou criança com dor de cabeça e sintomas de enxaqueca ao médico. Sobretudo nas crianças e bebês, é importante observar uma série de parâmetros do ambiente, comportamento e hábitos como a alimentação e sono, para obter um resultado satisfatório e consistente, ao mesmo tempo que evitando ou minimizando a necessidade de tratamentos mais agressivos com analgésicos e outras drogas. Estou organizando todo esse conhecimento em um livro especificamente sobre enxaqueca em crianças, inclusive como os pais (e futuros pais) podem minimizar a chance de manifestação da predisposição genética para enxaqueca através de mudanças ambientais e comportamentais através do estilo de vida. Se você tem interesse em ser notificado quando o livro estiver pronto, bem como interesse no tópico enxaqueca em crianças, assine minha newsletter e marque a opção “Enxaqueca em crianças”.
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Dr. Alexandre Feldman, CRM(SP) 59046
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