O Lado Problemático da Aveia
Aveia contém antinutrientes, é um alimento processado, seus óleos poliinsaturados são facilmente oxidados e sua proteína pode causar reação cruzada com glúten.
Aveia faz bem e é saudável? Será mesmo?
Quando a gente ouve falar de aveia, costuma lembrar só de comidas que consideramos saudáveis. Ou que pelo menos ensinaram, em algum momento, que são saudáveis.
Granola, bolo que não usa farinha de trigo mas usa aveia, substituto de outros ingredientes que contêm gluten, omelete com aveia, banana com aveia, fonte de fibra pra o intestino funcionar bem, fonte de minerais, fonte de antioxidantes… enfim, a lista é longa.
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Ao mesmo tempo em que a gente ouve só o lado bom, eu quero te passar nesse vídeo um lado potencialmente negativo.
Aliás, não propriamente da aveia em si, mas daquele produto processado de aveia que a gente encontra nas lojas. Farelo, em flocos, farinha e por aí vai.
Qual a relevância deste assunto?
Muito simples. Milhares de pessoas que seguem as recomendações alimentares da dieta antienxaqueca do meu livro se perguntam (e algumas delas me perguntam), até hoje, por que aveia não consta entre os alimentos recomendados nos primeiros 3 meses. Então, aqui vai a resposta.
Em primeiro lugar, vamos lembrar dos antinutrientes da aveia.
Antinutrientes são substâncias naturais contidas nos grãos e sementes em geral, que entre outras coisas, interferem negativamente com a absorção de minerais presentes nas comidas.
Daí você pensa que está comendo uma comida super rica em minerais, só que os antinutrientes não deixam absorver esses minerais.
Lembra que você não é o que você come, você é o que você absorve.
Os antinutrientes, a propósito, existem nas sementes e grãos em geral, como um mecanismo de sobrevivência das plantas que a evolução encontrou, pra impedir que os animais comessem essas sementes antes delas germinarem.
Os povos antigos não sabiam o que são antinutrientes, mas eles sabiam neutralizar os antinutrientes, esperando os grãos germinarem ou então deixando eles de molho por muitas horas, antes de cozinhar, enfim, preparar, de alguma maneira, esses grãos.
E quem faz isso hoje em dia? Ninguém! Só tira do saquinho e prepara.
Além disso, a aveia contém uma boa quantidade de antinutrientes chamados fitatos. Fitatos não tem nada a ver com gluten, mas eles não deixam absorver os nutrientes minerais contidos nessa aveia e também podem causar irritação no intestino e desconforto abdominal.
Proteínas da aveia que não o glúten
Glúten é uma proteína do trigo, de difícil digestão, que algumas pessoas não podem consumir porque o organismo delas fabrica, por engano, anticorpos contra essa proteína.
Tais pessoas têm uma doença chamada “doença celíaca” e para elas o glúten realmente faz muito mal. Simplesmente não podem consumir nada de glúten.
Reação cruzada com o glúten
A aveia tem outras proteínas de difícil digestão que não são glúten, mas que podem causar causar um fenômeno chamado reação cruzada com o glúten.
Que é isso? É o seguinte: Naquelas pessoas que fabricam anticorpos contra o glúten, esses anticorpos podem confundir por acidente a proteína da aveia com o glúten.
Daí a pessoa pode ter sintomas como gases, intestino solto, cansaço crônico, lentidão mental, dor no corpo, dor nas juntas, e nem desconfiar que a causa poderia ser essa reação cruzada.
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Processamento
A segunda coisa que a gente tem que considerar é o grau de processamento.
Concorda que do dia em que a semente foi colhida fresquinha, da planta, até o dia em que ela se transformou nessa aveia em flocos, farinha, farelo de aveia que você está comprando, alguém precisou transportar, armazenar, quebrar as sementes, moer, separar a casca do germe, prensar e tudo mais?
Isso é o processamento.
Oxidação dos óleos poliinsaturados
E daí? Daí que a aveia é rica em delicados óleos. Esses óleos, lá na semente, lá na planta, podiam até fazer todos eles muito bem à saúde.
Mas a partir do momento em que você colhe essa semente e a submete a um tratamento térmico, separa a casca, aplica pressão (prensa) para transformar numa aveia em flocos, ou móe numa farinha, esses delicados óleos vão ficar muito mais expostos ao ar e ao oxigênio, e vão sofrer um processo chamado oxidação.
Uma vez oxidados, esses delicados óleos param de fazer bem.
Eles passam a contribuir para a produção de radicais livres, inflamação, envelhecimento, enfim, uma série de doenças.
Esses óleos mais delicados são chamados de óleos poliinsaturados, justamente aqueles que a ciência diz que fazem bem. Mas só fazem bem quando eles não estão oxidados.
Infelizmente, como vimos, durante o processamento, transporte e armazenamento, esses delicados óleos se oxidam.
A aveia contém uma concentração de ácidos graxos poliinsaturados maior que outros grãos, o que pode aumentar o risco de você se expor a esses óleos oxidados.
Conclusão
Com todas essas informações e esse conhecimento, você já consegue entender o seguinte: que não existe a possibilidade de fazer uma afirmação genérica e universalmente válida, de que “aveia é saudável para todo mundo e ponto final”.
Nuances fazem a diferença
De qualquer maneira, se a gente quiser maximizar os potenciais benefícios da aveia, então precisa fazer muito mais que só comprar qualquer aveia no mercado.
Precisa saber a origem dessa aveia, como e quando ela foi processada e armazenada, e também precisa preparar essa aveia corretamente, deixando-a germinar ou então deixando-a de molho num meio ligeiramente ácido (por exemplo, em água mais um pouco de soro de iogurte) e na temperatura ambiente, por várias horas, antes de preparar e consumir.
Informação é a melhor prevenção, e conhecimento é o melhor tratamento.
A gente não pode ficar se enganando. Para ter saúde, é preciso conhecer mais sobre os 4 pilares do estilo de vida saudável: sono, alimentação, gestão do movimento e gestão das emoções.
Minha missão é justamente essa busca do estilo de vida saudável.
(Caso tenha interesse em ler artigos científicos sobre a oxidação dos óleos poliinsaturados da aveia, consulte este e este artigo)
Informações
Agendamento
Dr. Alexandre Feldman, CRM(SP) 59046
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